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Foi no dia 10 de março que me desloquei à Academia do Futebol Clube Famalicão, Futebol SAD, onde fui amavelmente recebida por Rui Borges, Diretor Geral da formação, fazendo-se acompanhar por Francisco Mangas, team manager dos sub17 que, com prontidão, logo se apresentou como meu orientador de estágio. Aos dois deixo, desde já, um agradecimento especial pela forma como me acolheram e pela ajuda incondicional que nunca me foi negada. O Francisco passava bastante tempo comigo, encaminhava-me e esclarecia as minhas dúvidas, mas também era ele que me dizia o que ainda tinha de ser feito. Já o Rui, talvez por ser uma figura mais presidencial, transmitia-me outro tipo de conhecimentos e de uma forma mais peculiar, através de situações concretas anteriormente vividas nas suas passagens por outros clubes.

Logo após a primeira reunião fui, imediatamente, conduzida pelas instalações, nas quais conheci os 7 departamentos constituintes da organização, inclusive os seus espaços de trabalho, terminando, junto ao auditório, no departamento administrativo, onde foi me dada a conhecer aquela que seria a minha secretária. Com esta primeira visita fui, desde logo, conhecendo bastante acerca de todos os departamentos que constituem a organização e, consequentemente, os vários patamares que os atletas passam, diariamente, para que se possa atingir o seu potencial máximo. Em todo este processo, tive acesso ao método de trabalho por eles utilizados, à forma como a informação era transferida entre as várias secções e assim, gradualmente, foi-me sendo exposta e incutida toda a logística material que envolvia cada departamento, desde os materiais utilizados, até aos que estavam em falta e seriam brevemente procurados e adquiridos para que tudo pudesse correr conforme planeado.

Já integrada no departamento da administração, foi-me permitido lidar diariamente com o trabalho de todos os team managers dos escalões SAD, e conhecer, também, alguns dirigentes da formação do clube, onde fui claramente bem recebida, pois, mesmo sendo a única figura feminina ali presente, sou testemunha de que o respeito e a igualdade são valores honrados na organização.

Desde muito cedo foi me pedido para realizar um documento que refletisse claramente a nossa organização, num período triénio, que com o acompanhamento fidedigno do meu orientador foi vagarosamente construído e melhorado até ao meu último dia. Paralelamente a isto, foram-me definidas outras tarefas, nomeadamente, quando o team manager do escalão mais novo, Sr. Amadeu, apresentou algumas dificuldades com o uso da internet e, de maneira a libertar um pouco a carga do meu tutor, essas responsabilidades acabaram por passar para mim, o que significa que toda a documentação semanal e até mensal seria feita por mim e supervisionada pelo Francisco.

Mais tarde, prestei apoio ao escalão sub 17, gerido pelo meu tutor, escalão este que serviu de ponto de partida para a minha aprendizagem. Assim, em colaboração com o Francisco comecei por construir progressivamente os documentos que continham toda a informação dos jogadores, inicialmente com os sub 17 e posteriormente replicado para os sub16 de uma forma mais autónoma.

Ao longo da época surgiram algumas reuniões com personalidades que não faziam, diretamente, parte do grupo, onde o Francisco permitiu a minha presença e interação nas mesmas. Foi aqui que consegui perceber que a organização é a base daquele grupo através da sistematização de toda a informação desde os aspetos menos relevantes, aos mais importantes, como é o caso das atas que, mais tarde, tive o prazer de incluir no meu processo de estágio.

Mais tarde, o escalão sub17, terminou a época, o que me trouxe uma nova missão. Fui encarregue de realizar uma página em Excel que ilustrasse a prestação de cada jogador nesta época contendo dados estatísticos como os golos, minutos de jogo, e cartões atribuídos. Confesso que, desta vez, o trabalho era mais exaustivo e demorado, certamente, devido a minha pouca experiência com o programa. Ainda assim, considero que serviu, sem dúvida, para melhorar e superar algumas dificuldades e conhecer muito mais acerca do mesmo. Curiosamente, o documento que criei, passou a ser, também, o modelo utilizado na organização, para aquele fim.

Os trabalhos com os sub16 continuavam, mas como os sub17 já tinham terminado a época, aproximava-se o momento de despedida para muitos deles. Após o lançamento da lista de contratados, foi agenciado pelo meu tutor e respetivos pais dos atletas uma reunião para se chegar à decisão final.

No período designado, além do horário predefinido também estive presente nas reuniões semanais que se realizaram, nas quais todos os membros da organização estavam presentes e onde eram abordados todos os temas relativos às equipas, sendo que a Drive da organização servia de documento de apoio e de interligação entre todos os representantes.

Felizmente pude estar presente em quase todas as reuniões quer de contratação, quer de dispensa, o que me permitiu, além da realização das respetivas atas, assistir a um diálogo agradável, onde consegui reconhecer alguns aspetos fundamentais para a comunicação neste tipo de situações. Por outro lado, também me foi apresentado o lado menos bonito da experiência, como foi o caso da reação de alguns pais à dispensa do filho com muita indignação e alguns com falta de educação. Confesso que o momento de dispensa de jogadores se revelou bastante emotivo para mim, visto que alguns deles sempre foram miúdos dóceis e de respeito que, apesar da tristeza, fizeram prezar a sua humildade e ainda louvaram o clube a que tinham pertencido. Nesta etapa, os contratos quer de formação, quer profissionais, assim como as rescisões dos mesmos também fizeram parte da minha prestação.

Adquiri muitos contactos, fiz amizades, aprimorei competências, descobri muito do todo que é necessário para gerir uma organização, nomeadamente cheguei a questionar o Rui acerca da vertente financeira da mesma, visto ser uma das minhas principais curiosidades no âmbito da gestão. No entanto, apesar de ter sido uma proposta bem recebida por parte do Diretor Geral, e de até chegarmos a um consenso quanto ao dia de abordagem deste tema, infelizmente, não foi possível concretizar-se devido aos resultados obtidos pelo escalão sub16, que exigiu o acréscimo de algumas horas de atenção, com a sua possível qualificação para o campeonato nacional.

No dia 20 de maio, dei por terminada esta etapa do meu percurso, que sem dúvida me fez crescer em vários aspetos, não só a nível cognitivo, mas também pessoal. Assim, saio desta experiência com várias aprendizagens, transmitidas pelas diversas personalidades que tive o prazer de conhecer, fomentadas pelo bom ambiente que sempre me foi proporcionado no Futebol Clube Famalicão SAD, organização à qual agradeço a oportunidade.